Ser presidente no Brasil é para amadores? A história mostra o contrário
Ao longo dos anos tenho observado, como cidadão comum, a história política do Brasil. Quanto mais olho para trás, mais chego à mesma conclusão: ser presidente da República não é coisa para amadores. A cadeira presidencial não é trono, é campo de batalha.
Não se trata aqui de defender político A ou B, mas de olhar para os fatos. Quando colocamos lado a lado alguns dos principais nomes que passaram (ou quase passaram) pela Presidência, vemos um rastro de crises, tragédias pessoais, impeachments, prisões e disputas implacáveis pelo poder.
A ciência política chama o nosso modelo de presidencialismo de coalizão. Pesquisadores como Sérgio Abranches lembram que, em sociedades muito divididas, a governabilidade exige “formação de alianças e maior capacidade de negociação”. Em outras palavras: o presidente passa o mandato inteiro equilibrando pratos e apagando incêndios dentro e fora do Congresso.
Getúlio Vargas: o líder que saiu da vida para entrar na história
Getúlio Vargas é um dos maiores símbolos do peso da Presidência no Brasil. Após anos no poder, cercado por pressão de opositores, ataques na imprensa e crises políticas, ele não suportou a escalada de tensões. Em 24 de agosto de 1954, dentro do Palácio do Catete, tirou a própria vida.
“Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na história.” (Getúlio Vargas, na Carta-Testamento)
Historiadores mostram que seu suicídio mudou o curso da política brasileira, adiou movimentos golpistas e transformou Getúlio de acusado em mártir aos olhos de boa parte do povo. A mensagem é dura: se até um presidente forte, popular e experiente desabou, imagine um amador.
Tancredo Neves: eleito, mas nunca governou
Depois de 21 anos de regime militar, o Brasil se preparava para ver novamente um presidente civil no comando. Tancredo Neves foi eleito indiretamente pelo colégio eleitoral para conduzir a transição democrática. Era um nome moderado, respeitado, articulador. Parecia o começo de um novo tempo.
Mas dias antes da posse, Tancredo foi internado com fortes dores abdominais, passou por cirurgias, teve complicações e acabou morrendo em 21 de abril de 1985, sem jamais vestir a faixa presidencial. Quem assumiu foi o vice, José Sarney.
O episódio deixou claro que, no Brasil, a Presidência é cercada não só por jogo político, mas por imprevisibilidades que fogem completamente do controle humano.
Collor: do “caçador de marajás” ao primeiro impeachment
Fernando Collor de Mello surgiu como o “caçador de marajás”, o outsider jovem que enfrentaria os poderosos. Foi o primeiro presidente eleito diretamente pelo voto popular após a ditadura. Pouco tempo depois, porém, seu governo mergulhou em denúncias, escândalos e investigações.
Em 1992, depois de intensa pressão popular e política, o Congresso autorizou a instauração de processo por crime de responsabilidade e Collor sofreu impeachment. Ele acabou se tornando o primeiro presidente civil julgado e condenado por crime de responsabilidade desde a redemocratização.
Estudos de cientistas políticos, como Fernando Limongi e outros, mostram que Collor governou com base em uma coalizão frágil, minoritária, o que aumentou o isolamento do governo e a dificuldade de construir maiorias estáveis no Congresso. Na prática, isso torna qualquer crise ainda mais explosiva.
Dilma Rousseff: pedaladas fiscais, crise econômica e divisão do país
Dilma Rousseff assumiu num cenário de expectativas altas, mas acabou governando em meio a uma combinação perigosa: crise econômica, perda de apoio no Congresso, polarização crescente e questionamentos sobre a responsabilidade fiscal do governo.
Na Comissão Especial do Impeachment, no Senado, juristas e especialistas afirmaram que houve crime de responsabilidade nas chamadas “pedaladas fiscais” e nos decretos orçamentários sem autorização legislativa. O jurista Miguel Reale Júnior, coautor de pedidos de impeachment, chegou a dizer em plenário que havia “crime de responsabilidade, autoria e dolo” no caso.
O processo terminou no impeachment em 2016. Mais tarde, em outras instâncias, decisões na área de contas públicas isentaram Dilma das acusações de “pedaladas”, o que mostra como o tema é complexo e atravessado tanto por questões técnicas quanto por disputas políticas.
Lula: da cela da PF de Curitiba de volta ao Planalto
Luiz Inácio Lula da Silva governou dois mandatos, deixou o cargo com alta aprovação e se tornou um fenômeno político. Mas os desdobramentos da Operação Lava Jato mudaram tudo. Em 2017, ele foi condenado pelo então juiz Sérgio Moro pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá, em processo ligado à Petrobras. A pena foi confirmada em instâncias superiores, e Lula acabou preso em 2018, na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba.
Essa prisão marcou profundamente a política brasileira e dividiu o país. Ao mesmo tempo em que a acusação citava vantagens indevidas e ocultação de propriedade do imóvel, juristas e observadores internacionais questionavam a imparcialidade do processo.
Em 2021, o Supremo Tribunal Federal anulou as condenações da Lava Jato contra Lula, reconhecendo que a Justiça de Curitiba não tinha competência para julgar aqueles casos. Com isso, ele recuperou seus direitos políticos, voltou ao jogo eleitoral e, posteriormente, foi eleito novamente presidente da República.
Bolsonaro: facada, crise permanente e prisão por tentativa de golpe
Jair Bolsonaro quase morreu antes de chegar ao poder: foi vítima de uma facada durante a campanha de 2018. Já no governo, enfrentou uma sucessão de crises: conflitos com o Congresso, embates permanentes com a imprensa, questionamentos sobre sua condução da pandemia, investigações da Polícia Federal e ações no Supremo Tribunal Federal.
Depois de deixar o cargo, vieram as acusações mais graves: participação em plano para tentar reverter o resultado das eleições de 2022, incentivar atos golpistas e conspirar contra a ordem democrática. O Supremo Tribunal Federal o condenou, em 2025, a uma pena de mais de 27 anos de prisão por envolvimento em tentativa de golpe de Estado.
Decisão recente determinou que o ex-presidente cumpra a pena em cela da Polícia Federal em Brasília, em regime fechado, depois de um período em prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica. É mais um ex-presidente brasileiro terminando atrás das grades, o que mostra o grau de tensão e de conflito que envolve o exercício e o pós-exercício da Presidência.
Quem passou sem impeachment, prisão ou tragédia?
Entre os nomes recentes, Fernando Henrique Cardoso talvez seja o exemplo mais estável. Governou dois mandatos, conduziu o Plano Real, enfrentou crises econômicas e políticas, mas terminou o período sem impeachment, sem prisão e sem tragédia pessoal ligada ao cargo.
Não foi por acaso. FHC vinha da academia, conhecia profundamente a estrutura do Estado, teve experiência como senador e ministro, e construiu uma base política ampla. A literatura de cientistas políticos como Octavio Amorim Neto e outros mostra que presidentes com coalizões sólidas e capacidade de negociar com partidos diferentes tendem a ter mais estabilidade e governabilidade.
Em outras palavras: quanto mais preparado e articulado é o presidente, menor a chance de o governo terminar em ruptura. Ainda assim, o risco nunca desaparece.
Ser presidente no Brasil é brincar com o quê?
Quando juntamos essas histórias, a fotografia é incômoda:
- Getúlio Vargas se matou no exercício do cargo.
- Tancredo Neves foi eleito, mas morreu antes da posse.
- Collor foi derrubado por impeachment.
- Dilma foi derrubada por impeachment.
- Lula foi preso, teve condenações anuladas e voltou ao poder.
- Bolsonaro levou uma facada, saiu do cargo cercado de investigações e hoje cumpre pena em cela da PF.
Todos esses nomes passaram, em algum nível, pela experiência de serem esmagados pela combinação de poder, pressão, disputa por cargos, mídia, redes sociais, investigações, operações policiais e guerras narrativas.
Sérgio Abranches, ao analisar o presidencialismo de coalizão brasileiro, lembra que em sociedades muito fragmentadas a estabilidade institucional depende de alianças amplas e de grande capacidade de coordenação política do presidente. Quando isso falha, abre-se a porta para crises, paralisia e rupturas.
Conclusão: política não é lugar para aventureiros
A partir de tudo isso, fica uma mensagem clara para o leitor: a política brasileira não pode ser tratada como torcida de futebol, nem como jogo de Fla-Flu ideológico. Quem olha para a Presidência apenas com paixão partidária costuma esquecer o preço humano, institucional e histórico desse cargo.
O Brasil não é para amadores. Muito menos a Presidência da República.
Quando alguém aparece dizendo que “qualquer um” pode governar, ou que “um empresário novo” vai resolver tudo sozinho, ou que “um outsider” vai simplesmente varrer o sistema, vale lembrar desse pequeno resumo da nossa história recente. Presidentes não governam sozinhos. Eles precisam construir maioria no Congresso, negociar com adversários, enfrentar interesses poderosos e lidar com pressões que nenhum mortal suporta sem preparo.
Mais do que nunca, o eleitor brasileiro precisa olhar para a política com critérios: analisar biografia, formação, equilíbrio emocional, capacidade de diálogo, histórico de respeito às instituições e compromisso com a democracia. Não existe presidente perfeito — mas há uma diferença enorme entre um líder preparado e um aventureiro empurrado pela onda do momento.
A Presidência do Brasil é, talvez, o cargo mais caro do país. E a conta não se paga apenas com votos: ela é cobrada em crises, lágrimas, destinos pessoais e, às vezes, em sangue.
Por Pastor Luciano Gomes, colunista do portal Veja Aqui Agora e do blog Crescimento Espiritual.
Referências consultadas
- Atlas Histórico do Brasil – FGV e Câmara dos Deputados, verbetes e documentos sobre a Carta-Testamento de Getúlio Vargas e o suicídio de 24 de agosto de 1954.
- O Globo, CNN Brasil e estudos históricos sobre a doença, morte de Tancredo Neves e a posse de José Sarney em 1985.
- Câmara e Senado Federal – dossiês e registros oficiais sobre o impeachment de Fernando Collor (1992) e o processo de impeachment de Dilma Rousseff (2016).
- Agência Brasil, decisões do STF e análises jornalísticas sobre a condenação, prisão, posterior anulação das condenações e retorno político de Luiz Inácio Lula da Silva.
- Reportagens da Reuters, Financial Times, CNN Brasil, AP e Agência Brasil sobre a condenação e prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro por envolvimento em tentativa de golpe.
- Artigos e livros de Sérgio Abranches, Octavio Amorim Neto, Fernando Limongi e outros cientistas políticos sobre o presidencialismo de coalizão e a governabilidade no Brasil.
- Pareceres e manifestações de juristas como Miguel Reale Júnior a respeito dos crimes de responsabilidade e do instrumento do impeachment na ordem constitucional brasileira.
Ser presidente no Brasil é para amadores? A história mostra o contrário
Ao longo dos anos tenho observado, como cidadão comum, a história política do Brasil. Quanto mais olho para trás, mais chego à mesma conclusão: ser presidente da República não é coisa para amadores. A cadeira presidencial não é trono, é campo de batalha.
Não se trata aqui de defender político A ou B, mas de olhar para os fatos. Quando colocamos lado a lado alguns dos principais nomes que passaram (ou quase passaram) pela Presidência, vemos um rastro de crises, tragédias pessoais, impeachments, prisões e disputas implacáveis pelo poder.
A ciência política chama o nosso modelo de presidencialismo de coalizão. Pesquisadores como Sérgio Abranches lembram que, em sociedades muito divididas, a governabilidade exige “formação de alianças e maior capacidade de negociação”. Em outras palavras: o presidente passa o mandato inteiro equilibrando pratos e apagando incêndios dentro e fora do Congresso.
Getúlio Vargas: o líder que saiu da vida para entrar na história
Getúlio Vargas é um dos maiores símbolos do peso da Presidência no Brasil. Após anos no poder, cercado por pressão de opositores, ataques na imprensa e crises políticas, ele não suportou a escalada de tensões. Em 24 de agosto de 1954, dentro do Palácio do Catete, tirou a própria vida.
“Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na história.” (Getúlio Vargas, na Carta-Testamento)
Historiadores mostram que seu suicídio mudou o curso da política brasileira, adiou movimentos golpistas e transformou Getúlio de acusado em mártir aos olhos de boa parte do povo. A mensagem é dura: se até um presidente forte, popular e experiente desabou, imagine um amador.
Tancredo Neves: eleito, mas nunca governou
Depois de 21 anos de regime militar, o Brasil se preparava para ver novamente um presidente civil no comando. Tancredo Neves foi eleito indiretamente pelo colégio eleitoral para conduzir a transição democrática. Era um nome moderado, respeitado, articulador. Parecia o começo de um novo tempo.
Mas dias antes da posse, Tancredo foi internado com fortes dores abdominais, passou por cirurgias, teve complicações e acabou morrendo em 21 de abril de 1985, sem jamais vestir a faixa presidencial. Quem assumiu foi o vice, José Sarney.
O episódio deixou claro que, no Brasil, a Presidência é cercada não só por jogo político, mas por imprevisibilidades que fogem completamente do controle humano.
Collor: do “caçador de marajás” ao primeiro impeachment
Fernando Collor de Mello surgiu como o “caçador de marajás”, o outsider jovem que enfrentaria os poderosos. Foi o primeiro presidente eleito diretamente pelo voto popular após a ditadura. Pouco tempo depois, porém, seu governo mergulhou em denúncias, escândalos e investigações.
Em 1992, depois de intensa pressão popular e política, o Congresso autorizou a instauração de processo por crime de responsabilidade e Collor sofreu impeachment. Ele acabou se tornando o primeiro presidente civil julgado e condenado por crime de responsabilidade desde a redemocratização.
Estudos de cientistas políticos, como Fernando Limongi e outros, mostram que Collor governou com base em uma coalizão frágil, minoritária, o que aumentou o isolamento do governo e a dificuldade de construir maiorias estáveis no Congresso. Na prática, isso torna qualquer crise ainda mais explosiva.
Dilma Rousseff: pedaladas fiscais, crise econômica e divisão do país
Dilma Rousseff assumiu num cenário de expectativas altas, mas acabou governando em meio a uma combinação perigosa: crise econômica, perda de apoio no Congresso, polarização crescente e questionamentos sobre a responsabilidade fiscal do governo.
Na Comissão Especial do Impeachment, no Senado, juristas e especialistas afirmaram que houve crime de responsabilidade nas chamadas “pedaladas fiscais” e nos decretos orçamentários sem autorização legislativa. O jurista Miguel Reale Júnior, coautor de pedidos de impeachment, chegou a dizer em plenário que havia “crime de responsabilidade, autoria e dolo” no caso.
O processo terminou no impeachment em 2016. Mais tarde, em outras instâncias, decisões na área de contas públicas isentaram Dilma das acusações de “pedaladas”, o que mostra como o tema é complexo e atravessado tanto por questões técnicas quanto por disputas políticas.
Lula: da cela da PF de Curitiba de volta ao Planalto
Luiz Inácio Lula da Silva governou dois mandatos, deixou o cargo com alta aprovação e se tornou um fenômeno político. Mas os desdobramentos da Operação Lava Jato mudaram tudo. Em 2017, ele foi condenado pelo então juiz Sérgio Moro pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá, em processo ligado à Petrobras. A pena foi confirmada em instâncias superiores, e Lula acabou preso em 2018, na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba.
Essa prisão marcou profundamente a política brasileira e dividiu o país. Ao mesmo tempo em que a acusação citava vantagens indevidas e ocultação de propriedade do imóvel, juristas e observadores internacionais questionavam a imparcialidade do processo.
Em 2021, o Supremo Tribunal Federal anulou as condenações da Lava Jato contra Lula, reconhecendo que a Justiça de Curitiba não tinha competência para julgar aqueles casos. Com isso, ele recuperou seus direitos políticos, voltou ao jogo eleitoral e, posteriormente, foi eleito novamente presidente da República.
Bolsonaro: facada, crise permanente e prisão por tentativa de golpe
Jair Bolsonaro quase morreu antes de chegar ao poder: foi vítima de uma facada durante a campanha de 2018. Já no governo, enfrentou uma sucessão de crises: conflitos com o Congresso, embates permanentes com a imprensa, questionamentos sobre sua condução da pandemia, investigações da Polícia Federal e ações no Supremo Tribunal Federal.
Depois de deixar o cargo, vieram as acusações mais graves: participação em plano para tentar reverter o resultado das eleições de 2022, incentivar atos golpistas e conspirar contra a ordem democrática. O Supremo Tribunal Federal o condenou, em 2025, a uma pena de mais de 27 anos de prisão por envolvimento em tentativa de golpe de Estado.
Decisão recente determinou que o ex-presidente cumpra a pena em cela da Polícia Federal em Brasília, em regime fechado, depois de um período em prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica. É mais um ex-presidente brasileiro terminando atrás das grades, o que mostra o grau de tensão e de conflito que envolve o exercício e o pós-exercício da Presidência.
Quem passou sem impeachment, prisão ou tragédia?
Entre os nomes recentes, Fernando Henrique Cardoso talvez seja o exemplo mais estável. Governou dois mandatos, conduziu o Plano Real, enfrentou crises econômicas e políticas, mas terminou o período sem impeachment, sem prisão e sem tragédia pessoal ligada ao cargo.
Não foi por acaso. FHC vinha da academia, conhecia profundamente a estrutura do Estado, teve experiência como senador e ministro, e construiu uma base política ampla. A literatura de cientistas políticos como Octavio Amorim Neto e outros mostra que presidentes com coalizões sólidas e capacidade de negociar com partidos diferentes tendem a ter mais estabilidade e governabilidade.
Em outras palavras: quanto mais preparado e articulado é o presidente, menor a chance de o governo terminar em ruptura. Ainda assim, o risco nunca desaparece.
Ser presidente no Brasil é brincar com o quê?
Quando juntamos essas histórias, a fotografia é incômoda:
- Getúlio Vargas se matou no exercício do cargo.
- Tancredo Neves foi eleito, mas morreu antes da posse.
- Collor foi derrubado por impeachment.
- Dilma foi derrubada por impeachment.
- Lula foi preso, teve condenações anuladas e voltou ao poder.
- Bolsonaro levou uma facada, saiu do cargo cercado de investigações e hoje cumpre pena em cela da PF.
Todos esses nomes passaram, em algum nível, pela experiência de serem esmagados pela combinação de poder, pressão, disputa por cargos, mídia, redes sociais, investigações, operações policiais e guerras narrativas.
Sérgio Abranches, ao analisar o presidencialismo de coalizão brasileiro, lembra que em sociedades muito fragmentadas a estabilidade institucional depende de alianças amplas e de grande capacidade de coordenação política do presidente. Quando isso falha, abre-se a porta para crises, paralisia e rupturas.
Conclusão: política não é lugar para aventureiros
A partir de tudo isso, fica uma mensagem clara para o leitor: a política brasileira não pode ser tratada como torcida de futebol, nem como jogo de Fla-Flu ideológico. Quem olha para a Presidência apenas com paixão partidária costuma esquecer o preço humano, institucional e histórico desse cargo.
O Brasil não é para amadores. Muito menos a Presidência da República.
Quando alguém aparece dizendo que “qualquer um” pode governar, ou que “um empresário novo” vai resolver tudo sozinho, ou que “um outsider” vai simplesmente varrer o sistema, vale lembrar desse pequeno resumo da nossa história recente. Presidentes não governam sozinhos. Eles precisam construir maioria no Congresso, negociar com adversários, enfrentar interesses poderosos e lidar com pressões que nenhum mortal suporta sem preparo.
Mais do que nunca, o eleitor brasileiro precisa olhar para a política com critérios: analisar biografia, formação, equilíbrio emocional, capacidade de diálogo, histórico de respeito às instituições e compromisso com a democracia. Não existe presidente perfeito — mas há uma diferença enorme entre um líder preparado e um aventureiro empurrado pela onda do momento.
A Presidência do Brasil é, talvez, o cargo mais caro do país. E a conta não se paga apenas com votos: ela é cobrada em crises, lágrimas, destinos pessoais e, às vezes, em sangue.
Por Pastor Luciano Gomes, colunista do portal Veja Aqui Agora e do blog Crescimento Espiritual.
Referências consultadas
- Atlas Histórico do Brasil – FGV e Câmara dos Deputados, verbetes e documentos sobre a Carta-Testamento de Getúlio Vargas e o suicídio de 24 de agosto de 1954.
- O Globo, CNN Brasil e estudos históricos sobre a doença, morte de Tancredo Neves e a posse de José Sarney em 1985.
- Câmara e Senado Federal – dossiês e registros oficiais sobre o impeachment de Fernando Collor (1992) e o processo de impeachment de Dilma Rousseff (2016).
- Agência Brasil, decisões do STF e análises jornalísticas sobre a condenação, prisão, posterior anulação das condenações e retorno político de Luiz Inácio Lula da Silva.
- Reportagens da Reuters, Financial Times, CNN Brasil, AP e Agência Brasil sobre a condenação e prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro por envolvimento em tentativa de golpe.
- Artigos e livros de Sérgio Abranches, Octavio Amorim Neto, Fernando Limongi e outros cientistas políticos sobre o presidencialismo de coalizão e a governabilidade no Brasil.
- Pareceres e manifestações de juristas como Miguel Reale Júnior a respeito dos crimes de responsabilidade e do instrumento do impeachment na ordem constitucional brasileira.

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