A vida Tainã Araújo Ferreira, de 42 anos, professora e pedagoga, natural de Cachoeira e residente em Governador Mangabeira (BA), foi marcada por perdas profundas que mudaram completamente o rumo de sua história. O que parecia ser uma vida comum tornou-se uma caminhada de luto, sofrimento e reconstrução. Hoje, ela compartilha sua experiência para mostrar que, mesmo quando tudo parece perdido, sempre existe a possibilidade de recomeçar.
O primeiro golpe
Aos 17 anos, faltando apenas três meses para concluir o curso de Magistério, Tainã enfrentou a primeira grande tragédia de sua vida: a morte do pai. Mais do que um pai, ele era seu maior exemplo, seu apoio e sua referência.
Sua mãe enfrentava transtornos mentais, e foi o pai, ao lado da avó materna, Dona Zefa, quem lhe ofereceu amor, cuidado e estabilidade durante a infância e a adolescência. A partida dele deixou um vazio difícil de ser preenchido.
Perdas que se acumulam
Em 2010, outro alicerce de sua vida se foi: Dona Zefa faleceu aos 102 anos. Naquela época, Tainã estava grávida de sua filha Thaissa e já era mãe de Deivid de Tales, então com nove anos.
Como se não bastasse, após 21 anos de convivência, viu chegar ao fim um relacionamento marcado por opressão, justamente quando mais precisava de apoio para enfrentar tantos desafios.
A dor de perder um filho
O golpe mais devastador veio em 16 de junho de 2022. Seu filho, Deivid Tales de apenas 19 anos, morreu durante um confronto com a polícia.
A lembrança ainda emociona Tainá.
"Foi arrancado de mim brutalmente um pedaço. A dor que sinto até hoje é imensurável. Nunca passará."
Quando a dor se transforma em dependência
Sem conseguir lidar com tanto sofrimento, Tainá buscou na bebida uma forma de aliviar a dor. O que parecia oferecer algum conforto tornou-se uma prisão silenciosa.
O consumo de álcool passou a fazer parte da rotina, comprometendo sua saúde, sua vida profissional, os cuidados com a filha e sua própria dignidade.
Até que chegou o momento mais importante de sua recuperação: reconhecer que precisava de ajuda.
O reencontro com a esperança
Foi então que seu patrão, o vereador Albano Fonseca, pesquisou alternativas de tratamento e indicou o Instituto Bambu – Abrigo Institucional e Comunidade Terapêutica, em Santo Estêvão.
Ali, Tainá encontrou muito mais do que tratamento. Encontrou acolhimento, respeito, cuidado e pessoas dispostas a caminhar ao seu lado.
"O Pastor Roberto Bambu e a Pastora e Psicóloga Dra. Inara Bastos nos receberam como filha. Eles buscam oferecer o melhor de si para cada pessoa acolhida", afirma com gratidão.
Ela permanece acolhida pela instituição, seguindo firme em seu processo de recuperação e reconstrução, um dia de cada vez.
Uma mensagem de esperança
Hoje, cercada pelo carinho do esposo Lula, da filha Thaíssa, do casal Albano Fonseca e Sidinha Sales, a enfermeira Katia Pedreira e de amigos que permaneceram ao seu lado, Tainã deixa uma mensagem para todos que enfrentam o alcoolismo ou qualquer outro sofrimento emocional:
"A bebida não é refúgio. Não resolve nada. Sei que meu filho está em paz vendo eu me cuidar. O alcoolismo é uma doença. Mas a decisão de mudar e a força de vontade precisam partir de nós mesmos. Não tenha vergonha de pedir ajuda. Não carregue sozinho um peso que não foi feito para uma só pessoa carregar."
A trajetória de Tainã demonstra que a dor pode marcar uma vida, mas não precisa determinar seu futuro. Com acolhimento, tratamento adequado, apoio familiar e coragem para pedir ajuda, é possível reencontrar a esperança e construir um novo começo.
Sua história é um testemunho de que sempre existe a possibilidade de recomeçar.


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