A Responsabilidade Individual e o Discurso da Vitimização

Nos últimos anos, tenho observado com atenção a abordagem de parte da grande mídia, especialmente da Rede Globo, quando o tema envolve crime organizado, tráfico de drogas e violência urbana. Existe um movimento recorrente de narrativas que tendem a justificar o criminoso, apresentando-o quase sempre como uma vítima da sociedade, da pobreza ou da ausência do Estado.

Eu compreendo que fatores sociais têm influência na formação de indivíduos e contextos. Não ignoro a realidade das desigualdades, nem as dificuldades que muitos enfrentam para conquistar dignidade e oportunidades. Entretanto, reduzir o fenômeno do crime à ideia de “vítimas do sistema” é simplificar demais uma realidade extremamente complexa.

O ser humano é dotado de escolhas. Todos os dias, pessoas nascem e crescem em contextos difíceis, porém optam por caminhos de estudo, trabalho honesto, esforço e superação. Se fosse verdade que “a sociedade cria o bandido”, então todos os pobres seriam criminosos — e isso é uma grave injustiça com milhões de cidadãos simples, trabalhadores, que lutam em silêncio para sobreviver de maneira digna.

Quando a mídia insiste em romantizar o criminoso e culpabilizar a sociedade, ela, de certa forma, desresponsabiliza o indivíduo por suas próprias ações. O resultado disso é perigoso: cria-se uma cultura de inversão de valores, onde o errado é compreendido, e o certo é ridicularizado como ingênuo ou antiquado.

A verdade é que o mundo oferece oportunidades para ambos os lados: o bem e o mal. Sempre haverá quem escolha o caminho da ética e quem opte pelo atalho da violência. Não se pode negar que existe desigualdade, mas também não se pode ignorar que existe vontade, decisão e responsabilidade pessoal.

O crime é uma escolha. Não é a sociedade que aperta o gatilho, que vende drogas, que alicia menores, que destrói famílias. Essas decisões pertencem aos indivíduos que as tomam. E assim como qualquer cidadão que comete um erro deve responder por ele, o criminoso também precisa ser responsabilizado.

A crítica aqui não é contra a preocupação social, mas contra a narrativa que transforma criminosos em vítimas permanentes e, ao mesmo tempo, coloca a sociedade e a polícia como vilões. Esse tipo de discurso não resolve nada. Pelo contrário, atrapalha, confunde e alimenta a impunidade.

A verdadeira transformação social se constrói com responsabilidade, educação, justiça equilibrada e valorização do bem. E isso começa com reconhecer que liberdade só existe onde há responsabilidade.

Autor: Pastor Luciano Gomes

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