A humilhação de Cristo (Fp 2) e a esperança da visão final
Deus é infinito, santo e espiritual. A Escritura afirma que Ele “habita em luz inacessível” e que “ninguém jamais o viu, nem pode ver” (1Tm 6:16). O ser humano, por sua vez, é criatura, limitada e finita. Existe uma distância natural entre o Criador e a criatura que não pode ser vencida por esforço humano.
Ainda assim, o homem foi criado para comunhão. A Bíblia não apresenta Deus como distante, mas como um Deus que fala, chama, conduz e se relaciona. A grande pergunta é: como o Deus invisível se torna conhecido sem deixar de ser Deus?
1) Deus é invisível na essência
“Ninguém jamais viu a Deus” (Jo 1:18). Essa afirmação não indica ausência divina, mas revela que Deus não pode ser percebido como um objeto do mundo criado. Ele é espírito (Jo 4:24) e transcende a matéria.
Mesmo as manifestações de Deus no Antigo Testamento — como a sarça ardente, o Sinai e a glória no tabernáculo — não expõem a essência divina, mas sinais reais da presença de Deus adaptados à limitação humana.
2) Filipenses 2: Deus se aproxima sem deixar de ser Deus
Em Filipenses 2:5–11, Paulo ensina que Cristo, existindo em forma de Deus, não se apegou à sua igualdade com Deus, mas esvaziou-se, assumindo forma de servo e fazendo-se semelhante aos homens.
Esse esvaziamento não significa perda da divindade, mas a encarnação real. Cristo assume plenamente a humanidade, com suas limitações, sem pecado. É Deus descendo até o homem para tornar o relacionamento possível.
Por isso Jesus afirma: “Quem me vê a mim, vê o Pai” (Jo 14:9). Ele é “a imagem do Deus invisível” (Cl 1:15).
3) Na Glória, veremos Deus?
A Bíblia promete que essa realidade futura será diferente da atual. Paulo diz que hoje vemos como em espelho, mas então veremos face a face (1Co 13:12). João afirma que seremos semelhantes a Cristo, porque o veremos como Ele é (1Jo 3:2).
Essa visão não deve ser entendida como a contemplação da essência infinita de Deus, mas como uma comunhão plena, sem pecado, sem distância e sem limitações espirituais.
4) Veremos o Pai ou veremos Jesus?
Cristo permanece eternamente como mediador. Ele é o Cordeiro no trono e a revelação perfeita de Deus. Ver Jesus glorificado não é ver menos Deus, mas ver Deus da forma máxima que uma criatura pode suportar.
Assim, na eternidade, veremos Deus por meio de Cristo, em perfeita comunhão, sem barreiras e sem sombras.
Conclusão
Deus permanece invisível em sua essência, mas plenamente revelado em Cristo. A encarnação torna possível o relacionamento entre o Criador e a criatura. Na Glória, com corpo incorruptível, viveremos a comunhão plena com Deus, conhecendo-o de forma perfeita no Filho eterno.
Pastor Luciano Gomes
Teólogo e colunista

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