O batismo nas águas é uma das ordenanças mais importantes deixadas por Jesus à sua Igreja.
Ao longo da história, porém, muitos cristãos têm vivido um conflito desnecessário: alguns acreditam que o batismo é indispensável para a salvação; outros o adiam indefinidamente, esperando alcançar um nível de maturidade espiritual que a Bíblia nunca exigiu.
Diante dessas duas visões, vale a pena voltar às Escrituras e perguntar: o que a Bíblia realmente ensina sobre o batismo?
O batismo é uma ordenança de Cristo
Antes de ascender aos céus, Jesus deu uma missão clara aos seus discípulos:
«"Portanto, ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho ordenado." (Mateus 28:19-20)»
Observe a sequência estabelecida por Jesus: fazer discípulos, batizar e continuar ensinando. O discipulado não termina no batismo; ele continua durante toda a vida cristã.
O batismo, portanto, não é uma opção para quem deseja seguir a Cristo. É um ato de obediência àquele que nos salvou.
O batismo não salva
É importante afirmar isso com clareza. A salvação não é conquistada por nenhum rito religioso.
O apóstolo Paulo escreve:
«"Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie." (Efésios 2:8-9)»
A salvação é recebida pela graça, mediante a fé em Jesus Cristo. Se o batismo fosse condição para a salvação, então a salvação dependeria, em parte, de uma obra humana.
Um exemplo marcante é o ladrão na cruz (Lucas 23:39-43). Ele creu em Jesus momentos antes de morrer, não teve oportunidade de ser batizado e, ainda assim, ouviu do próprio Senhor:
«"Hoje estarás comigo no paraíso."»
Isso demonstra que quem salva é Cristo, e não a água do batismo.
Então, por que o cristão deve ser batizado?
Porque quem ama a Cristo deseja obedecer à sua Palavra.
O batismo é a declaração pública de que uma transformação já aconteceu no coração. Ele não produz a salvação; ele testemunha a salvação.
Em Romanos 6:3-4, Paulo ensina que o batismo simboliza nossa identificação com a morte, o sepultamento e a ressurreição de Cristo. É um testemunho visível de uma realidade espiritual invisível.
A Bíblia não exige perfeição antes do batismo
Talvez um dos maiores equívocos seja pensar que a pessoa precisa atingir um elevado grau de santidade para então ser batizada.
O livro de Atos mostra exatamente o contrário.
No dia de Pentecostes, cerca de três mil pessoas receberam a mensagem, creram e foram batizadas (Atos 2:41).
O eunuco etíope, depois de ouvir o evangelho, perguntou a Filipe:
«"Eis aqui água; que impede que eu seja batizado?" (Atos 8:36)»
A exigência apresentada era a fé em Cristo, não a perfeição espiritual.
Depois do batismo, esses novos convertidos continuaram aprendendo, amadurecendo e sendo transformados pelo Espírito Santo.
O batismo confirma uma fé já existente
O batismo não cria um discípulo; ele identifica um discípulo.
Primeiro vem o arrependimento. Depois, a fé. Em seguida, a confissão pública dessa fé por meio do batismo.
Essa sempre foi a ordem encontrada no Novo Testamento.
Por isso, adiar indefinidamente o batismo esperando "sentir-se perfeito" não encontra apoio nas Escrituras. Ao mesmo tempo, alguém que ainda não creu verdadeiramente em Cristo não deve ser batizado apenas para cumprir uma cerimônia religiosa.
O batismo deve ser fruto de uma fé consciente e sincera.
O que disseram alguns teólogos?
John Stott escreveu que o batismo "não confere a salvação, mas é o sinal visível da união do crente com Cristo". Para ele, o rito não substitui a fé; ele a expressa.
Wayne Grudem afirma que o batismo é "um símbolo exterior de uma mudança interior". Em sua teologia sistemática, ele ressalta que a pessoa é salva pela fé, enquanto o batismo é o ato público que testemunha essa realidade.
John MacArthur também ensina que o batismo é um ato de obediência decorrente da conversão e jamais um meio de obter o perdão dos pecados.
Embora pertençam a tradições diferentes em alguns aspectos, esses estudiosos concordam em um ponto essencial: a salvação é obra exclusiva da graça de Deus, recebida mediante a fé em Cristo.
Conclusão
O batismo nas águas não deve ser tratado como um simples ritual religioso, mas também não deve ser cercado de exigências que a Bíblia não estabelece.
Ele não salva, não remove pecados e não torna alguém mais aceito por Deus. Quem salva é Jesus Cristo.
Entretanto, aquele que foi alcançado pela graça de Deus e colocou sua fé em Cristo encontra no batismo a oportunidade de declarar publicamente sua nova vida.
O batismo não é o fim da caminhada cristã. É um dos primeiros passos de uma vida inteira de discipulado, crescimento e comunhão com Deus.
A grande pergunta não é: "Estou perfeito para me batizar?"
A pergunta bíblica é: "Eu cri em Jesus Cristo, arrependi-me dos meus pecados e decidi segui-lo?"
Se a resposta for sim, o próximo passo natural é obedecer ao Senhor que disse: "Ide... fazei discípulos... batizando-os."


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